Projeto leva educação no trânsito a 100 crianças no Benguí

Por: www.revistaamazonia.com.br

 

Aliado a respeito, cortesia e responsabilidade, o conhecimento é determinante na transformação do comportamento do homem na sociedade atual. E foi pensando no alto potencial de assimilação da informação nas escolas que a Universidade do Estado do Pará (Uepa), em parceria com o Departamento de Trânsito (Detran/PA), criou um projeto de educação no trânsito, um dos principais fatores de diminuição do número de acidentes. A primeira ação de 2019 foi realizada na última sexta-feira (8).

O projeto de extensão Pedagogia em Movimento: Educação para o Trânsito em Belém do Pará surgiu em 2013 e é coordenado pela professora do curso de pedagogia da Uepa, Diana Lemes. “Eu era professora de escola pública e me preocupava com o trânsito do entorno. É muito gratificante ver essa transformação! As crianças e os pais se tornam multiplicadores e o trânsito precisa dessa multiplicação do bem”, explicou.

Na ação de sexta, quatro oficinas lúdico-pedagógicas foram realizadas para 100 crianças de quatro turmas da Escola Municipal de Ensino Fundamental Valter Leite Caminha, no bairro do Benguí, próximo à avenida Centenário. De forma criativa, a programação abordou o papel dos pedestres, passageiros e condutores de veículos; com paródias sobre o ciclismo, e informações das sinalizações verticais e horizontais.

“São excelentes os resultados, não apenas na comunidade interna como na externa. As crianças sofriam muitos acidentes e depois do projeto é possível observar uma postura diferente neles e nos seus familiares. Ao sair da escola eles respeitam mais a sinalização, há uma mudança no comportamento e é maravilhoso observar esses resultados!”, contou Virgínia Teixeira, coordenadora da Escola.

O trabalho desenvolvido pela Uepa com o Detran está de comum acordo com o artigo 76 do Código de Trânsito Brasileiro que prevê que: A educação para o trânsito será promovida na pré-escola e nas escolas de 1º, 2º e 3º graus, por meio de planejamento e ações coordenadas entre os órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito e de Educação, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, nas respectivas áreas de atuação.

Para Elizabeth Oliveira, analista de trânsito e pedagoga do Detran, a parceria com a Uepa vai além da conscientização das comunidades. “É uma parceria, mas também um apoio, pois a academia tem a finalidade de lançar esse olhar de pesquisa para propor mudanças e soluções que venham colaborar para um trânsito mais seguro e preventivo”, explica.

Vinculado ao Grupo de Estudos e Pesquisas Pedagogia em Movimento (Geppem), o projeto de extensão é contemplado pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) e, até agora, já originou oito Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) e possui dois em andamento. Nos próximos meses, o projeto pretende visitar nove escolas, seis públicas e três particulares, ampliando também suas ações para oficinas de orientação para professores e familiares dos alunos.

“Participar desse projeto está sendo de suma importância, porque está ampliando os meus conhecimentos enquanto pesquisadora”, comentou Rejane Chaves, bolsista Pibic do projeto.

“Essas ações de extensão fazem o diferencial na formação dos nossos alunos. A gente percebe isso no perfil dos egressos da Uepa, porque eles têm agora em sua formação a total plenitude do que é o ensino, a pesquisa e a extensão. É a teoria alimentando a prática, é a prática alimentando a teoria. Assim, eles já agem diferente dos alunos que não passam por essa experiência”, explicou a coordenadora do curso de pedagogia da Uepa, professora Ceila Moraes.

Reconhecimento – O projeto de extensão recebeu em 2015, do Ministério da Educação, o Prêmio Professores do Brasil, e a honra ao mérito pela paz no trânsito da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa/PA) em 2014.

Para 2019 está previsto o lançamento de uma coleção paradidática de livros infantis pela editora Brasil Cultural, composta por três volumes. As publicações vão conter personagens folclóricos da região amazônica contextualizados na temática do trânsito. A coletânea ‘Educação para o trânsito’ contará com histórias e atividades complementares direcionadas para colaborar com o aprendizado dos alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental Menor (1º ao 5º ano).

Números – Segundo o Ministério da Saúde (MS), as mortes por acidentes de trânsito no Brasil estão em queda. Em seis anos houve uma redução de 27,4% dos óbitos nas capitais do país. Em 2010, foram registrados 7.952 óbitos, contra 5.773 em 2016, o que representa uma diminuição de 2,1 mil mortes nesse período. Entretanto, o país segue longe da meta estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), que prevê redução de 50% no número de vítimas em 10 anos, contados a partir de 2011.

Belém aparece em 24º lugar dentre as capitais com maior redução de acidentes, com uma diminuição de apenas 17,4% no período analisado, na frente somente de Fortaleza (CE), Palmas (TO) e João Pessoa (PB).

Por Helaine Cavalcante

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