Projeto da Fepasa apresentado a gestores e setor produtivo do Pará

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Empresários, industriais, prefeitos, dirigentes de entidades de classe e secretários de Estado lotaram o 9º andar da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa),recentemente, para conhecer os detalhes técnicos do projeto da Ferrovia Paraense (Fepasa). O encontro foi conduzido pelo titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Adnan Demachki, que preside o Comitê Gestor de Parcerias Público-Privadas do Estado do Pará e está à frente das interfaces com os atores do maior projeto em curso hoje no estado.

A proposta de implantação da ferrovia paraense partiu da iniciativa privada ainda em 2015, quando a empresa Pavan Engenharia solicitou do Estado autorização para realizar os Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) para implantação do novo modal de transporte. Após 16 meses, os levantamentos estão sob aprovação da Sedeme.

O projeto prevê a construção de 1.316 quilômetros de ferrovia que passarão por 23 municípios, interligando o Pará de norte a sul. Maurício Girardello Filho, da Pavan Engenharia, afirmou que o empreendimento conectará a cidade de Barcarena à Santana do Araguaia, prevendo a geração de 38 mil empregos diretos e indiretos durante a execução da obra, cujo custo está avaliado em 14 bilhões de reais.

“Estamos cada vez mais próximos de termos um corredor viário competitivo, que será estruturante para o Pará e para o Brasil”, frisou o secretário Adnan Demachki, acrescentando que o importante, nesse momento, “é ter visão e clareza do que queremos e, sobretudo, garantir transparência no que fazemos”.

O secretário estadual de Transportes, Kleber Menezes, que tem assento no Comitê Gestor de PPPs, avaliou positivamente a condução das etapas necessárias para a materialização do projeto da ferrovia. “O proponente privado fez um investimento pesado na concepção dos estudos, um trabalho extremamente denso, volumoso, que dá o primeiro dos suportes, que é a viabilidade técnica, para um projeto desse porte”, afirmou, referindo-se à empresa Pavan Engenharia.

“O secretário Adnan Demachki nos mostrou todos os passos que o Estado tem dado para alicerçar esse projeto. Mais do que um facilitador, o governo é protagonista desse empreendimento na medida em que ele o prioriza, assumindo a necessidade de desapropriações no traçado – a serem custeadas com recursos privados, é claro – e prioriza a consolidação de um ambiente seguro e atrativo para que empresas possam se unir ao projeto da ferrovia, e isso também já é uma realidade”, assinalou Kleber Menezes, citando o interesse de grandes grupos empresariais em se apropriarem da ferrovia para o transporte de suas cargas com vistas ao mercado global.

Na ocasião, executivos de empresas como a Irajá Mineração, Cevital e Alloys Pará apresentaram ao governo do Estado compromissos de carga, empenhando-se a transportar milhões de toneladas de minério de ferro, de aço e seus derivados pela ferrovia. Prefeitos de 12 municípios por onde a ferrovia passará também autorizaram o trânsito dessa carga em suas circunscrições.

”Vimos aqui empresas do agronegócio e da mineração declarando que querem se utilizar da ferrovia para o transporte de suas cargas. Isso é mais uma prova concreta que fomos precisos ao apostar no desenvolvimento deste projeto”, avaliou o titular da Setran.

O presidente do Sindicado das Indústrias da Mineração (Simineral), José Fenando Gomes, destacou que a ferrovia é vital para a competitividade dos negócios no Pará. “Para nós, do setor da mineração, é de fundamental importância que esse projeto saia do papel, como bem frisou o secretário Adnan Demachki, e para isso é preciso que as entidades, o governo e o setor privado se unam”, conclamou, salientando que os estudos de viabilidade identificaram as 26 principais ocorrências de minérios no território paraense.

“Foi um trabalho muito bem feito pela Sedeme e as empresas que detêm a exploração dessas ocorrências minerais estão presentes nesta reunião. O Simineral está de portas abertas para recebê-las para que, juntos, possamos fortalecer o setor e fazer dele o que sempre sonhamos”, concluiu.

“A ferrovia é um sonho antigo da Fiepa, ela integra o Estado e é um esteio para o Programa Pará 2030, que eu costumo dizer que é de toda a sociedade paraense e não apenas do governo. Estamos em sintonia com a Sedeme, colocando nossas instalações e nossa expertise a serviço desse projeto”, declarou o vice-presidente da Fiepa, José Maria Mendonça.

Para o presidente da Associação Comercial do Pará (ACP), Lúcio Fábio Costa, o evento da noite desta segunda-feira mostrou a força da iniciativa e a forte adesão da sociedade paraense ao projeto da ferrovia. “Aqui há um público seleto capaz de dar sustentação concreta para um projeto como esse, que é maravilhoso. É uma oportunidade que o Pará tem de pensar sua logística em longo prazo. Hoje mesmo investidores já se comprometeram com a proposta que, acredito, constitui um importante corredor de escoamento para o Brasil a partir da região Norte, considerando um complexo de portos que temos estrategicamente dispostos, sem falar nos que ainda serão instalados a partir disso”, afirmou Fábio Lúcio.

* Valéria Nascimento

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