Prefeitura de Belém tem evolução no atendimento de pessoas com autismo

Por: agenciabelem.com.br

O ano de 2017 está se encerrando com números a serem celebrados na área da educação inclusiva em Belém. O Centro de Referência em Inclusão Educacional Gabriel Lima Mendes (CRIE), que integra a Secretaria Municipal de Educação (Semec), além de outros atendimentos, presta assistência a 365 alunos com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), que estão matriculados na rede pública municipal, desde a educação infantil até a Educação de Jovens e Adultos. Esses números colocam Belém entre os líderes em atendimento da educação inclusiva no Brasil. A notícia foi divulgada em uma reunião, na manhã desta terça-feira, 5, na sede da Prefeitura Municipal de Belém, da qual participaram um grupo de mães de crianças com autismo, o prefeito Zenaldo Coutinho, o secretários municipais de Saúde,  Sérgio Amorim, e o de Educação, Marcelo Mazzoli, a titular da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém, Ana Paula Gossinho, e outros assessores municipais. O grupo de mães trouxe reivindicações ao poder público, nas áreas de atendimento educacional e de saúde, e que foram ouvidas e atendidas por meio de uma conversa ampla, que abrangeu vários aspectos, sendo que o mais importante deles foi que há uma certa falta de comunicação entre as famílias das crianças e o poder municipal. A solução para esse impasse é que será elaborada uma cartilha na qual serão concentradas todas as informações necessárias para um melhor atendimento das crianças. “A reunião foi muito proveitosa, e vamos cobrar essa cartilha, porque acredito que estava faltando era mais informações para nós, que em alguns momentos ficamos meio sem rumo, sem saber aonde ir. Às vezes não encontramos vagas nas escolas, ou pegamos lista de espera em atendimento médico, e tudo isso foi tratado nesta reunião, para ver quais os melhores caminhos e soluções para os nossos filhos”, afirmou Lorena Lima, mãe de uma criança com autismo, que tem oito anos de idade. Para o prefeito Zenaldo Coutinho, a intenção da PMB é sempre a melhoria do serviço público. “Estamos aqui em um momento que é para ouvi-las, e colocando as entidades municipais à disposição de todos para que as reivindicações sejam resolvidas, e não podem deixar de ser atendidas motivadas por falta de comunicação”, enfatizou o prefeito, que também aconselhou o grupo a se constituir em uma associação, para que essa possa ter uma articulação melhor com o poder público.   Assistência – A Prefeitura de Belém desenvolve, por meio do CRIE, o Programa de Atendimento às Necessidades Especiais do Transtorno do Espectro do Autismo (PROATEA), que realiza atividades lúdicas, atendimento psicopedagógico, linguagem, psicomotricidade e informática educacional e ainda estimula pesquisas de campo por meio das parcerias. No PROATEA, o CRIE faz a avaliação e o atendimento no próprio centro, no contra turno escolar. Todos os 365 estudantes com autismo da rede municipal de ensino de Belém recebem, até três vezes na semana, atendimento especializado no CRIE, que conta com uma equipe multiprofissional, integrada por psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. Esses profissionais estimulam o desenvolvimento por meio do atendimento e também de projetos e programas como Ciranda da Família, que busca aproximar os pais da escola, a fim de que possam relacionar-se de forma mais saudável com seus filhos; Artes Cênicas; Expressão; programa Bilíngue; e o projeto Talentos Paralímpicos, que os incentiva a praticarem atividades físicas. Lançado há um ano, o PROATEA já diagnosticou grande avanço no quadro evolutivo dos estudantes com autismo. Além disso, esses estudantes recebem atendimento domiciliar e nas próprias unidades de educação, por meio de Salas de Recursos Multifuncionais. Atualmente, das 73 escolas de ensino infantil e fundamental de Belém, 54 possuem as Salas de Recursos Multifuncionais nas quais, duas vezes por semana, o aluno é atendido por equipes multiprofissionais.  A dona de casa Joana Guimarães, de 31 anos, é mãe da Ana Karina, de 5, estudante da UEI Santo Agostinho, no bairro Canudos, que recebe atendimento no CRIE, uma vez por semana, desde o início de 2017. Para Joana, o atendimento na instituição é muito atencioso. “Desde que procurei o CRIE fui bem recebida. A dedicação da equipe é enorme, e já estamos vendo o resultado do trabalho realizado com minha filha, que tem evoluído, principalmente no desenvolvimento cognitivo e na capacidade de concentração. Ela já consegue se concentrar para finalizar uma atividade e a interação social dela com os colegas de sala de aula está melhorando bastante”, elogiou a dona de casa. A soma de recursos e o desenvolvimento positivo dos alunos com deficiência vêm qualificando, cada vez mais, a educação inclusiva em Belém. Em 2013, o número de alunos com deficiência era pouco mais de 400. E em levantamentos de 2016, esse número se elevou para mais de dois mil estudantes com algum tipo de deficiência. Sesma – A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informou que já houve outras reuniões com o grupo de mães e que outra já está marcada. A principal reivindicação do grupo é que o atendimento médico seja descentralizado, e que o acesso à medicação das crianças seja mais simplificado. A secretaria informou que esses estudos já estão sendo feitos. A Sesma mantém atendimento às pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), que recebem cuidados específicos na Rede SUS Municipal, por meio da rede própria e conveniada. Atualmente, as terapias de reabilitação voltadas às pessoas com TEA, coordenadas pela Sesma, são realizadas nas instituições de saúde de reabilitação física e intelectual/mental, são 19 entidades de atendimento; de reabilitação visual/auditiva, são nove instituições; e de saúde bucal, nove institutos. Independente de a pessoa ter diagnóstico clínico que a caracterize como pessoa com deficiência, todo e qualquer primeiro atendimento deve ser realizado nas Unidades Municipais de Saúde, e, após consulta médica, ela vai ter acesso a rede especializada, de acordo com as especificações de seu caso.
Agência Belém de Notícias

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