Medicina Mebêngôkre-Kayapó em debate no Museu Goeldi

Atividade do Museu Goeldi traz Takwyry Kayapó, do Conselho Distrital de Saúde Indígena Kayapó do Pará (CONDISI/DSEI), para falar das políticas atuais e a relação entre a medicina oficial e a medicina indígena. Encontro faz parte do projeto “Conhecendo a saúde, as doenças e plantas medicinais Mebêngôkre-Kayapó”

Agência Museu Goeldi – Nesta sexta-feira (19), a partir das 9h, acontece a sessão de trabalho “Medicina oficial x Medicina Mebêngôkre: políticas atuais”, com apresentação de Takwyry Kayapó, representante do Conselho Distrital de Saúde Indígena Kayapó do Pará (CONDISI/DSEI). A atividade será realizada na Sala de reuniões 01 da Coordenação de Ciências Humanas do Museu Goeldi (Av. Perimetral, 1901, Terra Firme) com entrada livre e gratuita.

Desde o último dia 14 de maio, no Campus de Pequisa e no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, ocorre o evento “Conhecendo a saúde, as doenças e plantas medicinais Mebêngôkre-Kayapó”. A sessão de trabalho com Takwyry Kayapó faz parte desse evento que já contou com sessões de conversas e discussões sobre temas como sistema de saúde tradicional Mebêngôkre, políticas de governo para a saúde indígena e saberes e usos associados às plantas medicinais.

Os participantes realizaram ainda visitas às coleções institucionais – herbário, etnobotânica e etnográfica – do Museu Goeldi e plantaram, no Parque Zoobotânico da instituição, mudas de espécies importantes para a cultura Mebêngôkre-Kayapó. Esse é o primeiro passo para a formação de um jardim etnobotânico dedicado aos povos indígenas, com os quais o Museu Goeldi mantém relações de trabalho e amizade.

Pesquisa – O evento é uma realização do projeto de pesquisa “Saúde e soberania alimentar Mebêngôkre-Kayapó: conhecimentos, práticas e inovações”, coordenado pela pesquisadora do Museu Goeldi Márlia Coelho-Ferreira e financiado pelo Banco da Amazônia. O projeto dá prosseguimento às pesquisas iniciadas nas aldeias Las Casas (Terra Indígena Las Casas) e Moikarakô (Terra Indígena Kayapó), situadas no Sul do Pará, ampliando o campo de ação para o contexto da saúde indígena.

Os pesquisadores indígenas e não-indígenas que participam do projeto possuem áreas de atuação complementares. A partir delas, se busca a valorização e proteção dos conhecimentos tradicionais o fortalecimento e autonomia dos cuidados em saúde e, mais amplamente, os processos de inclusão social do povo indígena Mebêngôkre-Kayapó.

Esse direcionamento da pesquisa atende às demandas dos próprios indígenas, preocupados em resgatar, promover e valorizar os conhecimentos dos diferentes especialistas da medicina Mebêngôkre-Kayapó, relacionados aos recursos naturais, principalmente às plantas medicinais e alimentícias, dada a estreita relação alimentação/saúde.

Além dos objetivos científicos, o projeto busca atender as demandas dos Mebêngôkre-Kayapó, o que lhe confere uma abordagem participativa. Integram a equipe  as pesquisadoras não-indígenas, Márlia Coelho-Ferreira e Claudia López (MPEG). O projeto também conta com pesquisadores indígenas: três pajés, três lideranças, um representante do CONDISI/DSEI Kayapó do Pará e um da Funai/Coordenação Técnica Local – Redenção, além de três jovens cinegrafistas.

Texto: Uriel Pinho, com informações da organização do evento

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