Intervenção artística surpreende visitantes da Estação das Docas

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Quem passou na Estação das Docas na tarde de sexta-feira, 28, pôde apreciar junto com o por do sol, a instalação de dança Gotas, do núcleo artístico Maya-Lila, de Campinas, São Paulo. A apresentação, que também aconteceu na Praça da República no dia anterior, faz parte da turnê do grupo que percorre a região Norte pela primeira vez. Os guindastes amarelos que são marca registrada de um dos pontos turísticos mais visitados na capital paraense, serviram de estrutura para as três gotas de tecido que abrigavam os artistas em uma dança silenciosa e lenta. A administradora Cristiane Ribeiro foi surpreendida pela apresentação quando passeava pela orla da Estação das Docas. “Chama bastante atenção e o que achei mais legal é que contempla o espaço. É muito bonito”, disse. Os amigos João Vitor Basateli e Valéria Oliveira, que fazem teatro e dança, respectivamente, deram uma pausa no passeio para apreciar a intervenção artística. “Achei bem interessante. A expressão dos dançarinos nos tecidos faz com que a gente queira ficar aqui por um longo tempo”, afirmou João. Para Valéria o ‘Gotas’ tem uma personalidade forte. “É uma arte bem diferenciada e é difícil a gente encontrar esse tipo de instalação artística aqui na Estação que geralmente contempla apresentações de teatro, música e dança. Gostei muito e espero que venham outras apresentações como essa pra cá”, reitera Valéria Oliveira. O cantor Antônio de Oliveira viu a intervenção na Praça da República. Gostou tanto que foi também conferir o grupo na Estação. “É uma entrega muito grande dos artistas que combinada ao ambiente da cidade tira o nosso olhar da rotina. É uma experiência maravilhosa”, garante o artista que acredita que a arte deve ocupar, cada vez mais, os lugares públicos. “É acessível a todos e acho isso maravilhoso”. A bailarina Marília Coelho, que concebeu o espetáculo do Núcleo Artístico Maya-Lila, explica que a instalação é um convite a uma pausa para contemplação da humanidade e da dança presente nas pequenas coisas do cotidiano. “A gente tem experiência de fazer esse trabalho em diversos lugares, mas em Belém foram dois espaços maravilhosos: o corredor das mangueiras na Praça da república e aqui na Estação das Docas, na beira do rio, isso foi muito especial pra gente”, contou Marilia ao lembrar que o trabalho realizado é de contemplação. “Quanto mais bonito o lugar, mais o trabalho se integra e isso aconteceu aqui, nesse visual incrível, barcos passando, o por do sol, foi muito bonito”. Belém é a terceira cidade contemplada na turnê do Maya-Lila na região Norte. O grupo já passou por Manaus e Rio Branco e segue para Macapá, onde se apresenta nos dias 1 e 2 de agosto. Sensações – O vento tão comum nessa parte da cidade surpreendeu a bailarina Melina Scialom. “O vento das Docas é incrível, muda tudo e dá todo um movimento para as gotas, interferindo em como a gente se move. É uma outra sensação que muda a nossa relação com o tempo e espaço. Foi uma experiência inusitada”, revelou a artista que recentemente lançou o livro Laban Plural, que analisa a história e técnicas do artista Rudolf Laban. José Guilherme Bergamasco era o único do grupo que já conhecia Belém. Ele contou que passou pela cidade há 10 anos com um trabalho circense. Na ocasião ele conheceu a Estação das Docas e percebeu o leque de oportunidades artísticas que o espaço oferecia. “Quando vi os guindastes pensei em me pendurar. É muito bom poder voltar e realizar algo que foi imaginado há tempos”, contou Bergamasco que agradeceu a receptividade da cidade. “Nosso contato aqui foi maravilhoso. São experiências novas, com outra cor, outra textura, outro brilho, outro cheiro. Foi lindo e a gente está muito grato ao público”, finalizou.
Agência Pará de Notícias

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