Estudos de longa duração sobre Amazônia e mudanças climáticas

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18/05/2017 – 16:15

Museu Goeldi apresenta resultados de estudos realizados no Sítio PELD na Floresta Nacional de Caxiuanã (PA), durante evento em Brasília (DF) que discute o Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD). O sítio inclui os experimentos de 15 anos do projeto Esecaflor, o mais longo estudo na floresta amazônica sobre os efeitos provocados pelas mudanças climáticas

Agência Museu Goeldi – Pelo menos 36 horas de viagem de barco separam quem parte de Belém (PA) com destino à Floresta Nacional (Flona) de Caxiuanã, no arquipélago do Marajó. É lá que o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) mantém a Estação Científica Ferreira Penna, que abriga um dos 33 sítios de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD). Em Caxiuanã são feitas medições dos impactos antrópicos e a simulação de secas prolongadas nas florestas amazônicas.

Desde o último dia 16, especialistas de todo o país estão reunidos em Brasília para discutir os 20 anos de criação do Programa PELD, cujos sítios estão distribuídos nos biomas brasileiros. O MPEG é representado no evento pelo ecólogo Leandro do Vale Ferreira, chefe da Estação Ferreira Penna e coordenador do Sítio PELD em Caxiuanã, que, nesta quinta (18), participa de uma mesa redonda sobre mudanças climáticas.

Para Leandro Ferreira, projetos de pesquisa ecológica de longa duração são fundamentais para entender os processos físicos e biológicos de um sistema tão complexo como a região amazônica. “Somente com séries temporais longas, de vários anos, é que podemos realmente compreender toda a magnitude da variação [desses processos]. Projetos de curta duração não tem essa capacidade”, pontua Ferreira.

Caxiuanã – A Estação Científica do Museu Goeldi e as pesquisas desenvolvidas nos seus 33 mil hectares de florestas e rios em Caxiuanã têm ajudado o mundo a entender melhor as dinâmicas da biodiversidade das florestas amazônicas. Esse papel único foi reconhecido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que aprovou a criação de um Sítio PELD na localidade em 2010.

Entre os objetivos do Sítio PELD Caxiuanã estão a medição dos impactos da ação do homem e a simulação de secas prolongadas, como efeito de mudanças climáticas globais em áreas da floresta amazônica.  Os eixos de atuação do PELD incluem ainda o monitoramento da biodiversidade e da dinâmica florestal – com o inventário de flora e fauna em florestas de terra firme, vegetações secundárias e florestas inundadas. Inclui também projetos ligados à educação ambiental e à formação de recursos humanos, e procura estratégias para a conservação da Amazônia, com base em informações técnicas.

Atualmente, o PELD-Flona Caxiuanã é responsável por integrar as pesquisas de biodiversidade dos projetos institucionais do Museu Goeldi, desenvolvidos com parceiros locais, como a Universidade Federal do Pará e a Embrapa Amazônia Oriental. Esses projetos contam ainda com parceiros internacionais, como as Universidades de Oxford, Exeter e Hamburgo.

Resultados – Um exemplo é o projeto ESECAFLOR, coordenado pelo professor Antônio Lôla, da Universidade Federal do Pará. O experimento funciona há 15 anos monitorando o que acontece com uma parcela de um hectare (dez mil metros quadrados) de floresta, onde há a interceptação de cerca de 50% da água da chuva – alcançada pelo uso de uma cobertura plástica composta por seis mil painéis –, em comparação com outra parcela do mesmo tamanho, em condições normais de exposição à água.

Os pesquisadores constataram que a taxa de mortalidade de árvores foi quase duas vezes maior na parcela do experimento que recebeu menos água, principalmente entre árvores de maior porte (DAP>40cm). Observaram também a redução da regeneração natural e do recrutamento de árvores, e aumento da riqueza e biomassa dos cipós (mais adaptados a ambientes secos).

A produção acadêmica gerada a partir do Programa PELD-Caxiuanã auxiliou também na elaboração do Plano de Manejo da Floresta Nacional de Caxiuanã em dezembro de 2012, demonstrando que o sítio tem cumprido seus objetivos de promover o avanço do conhecimento da biodiversidade amazônica e dar suporte ao manejo dos recursos naturais e a conservação da biodiversidade.

De acordo com Leandro Ferreira, “experiências ricas como o projeto ESECAFLOR, e outros projetos desenvolvidos no Sítio PELD de Caxiuanã ao longo dos últimos anos, trarão respostas para a compreensão da biodiversidade e de manejo da região amazônica”.

PELD – Desde 1999, o Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), articula uma rede de sítios de referência para pesquisas de longa duração sobre Ecologia de ecossistemas. Atualmente, são 33 sítios distribuídos por todo o Brasil, em diferentes biomas e ecossistemas, com o objetivo de coletar dados por longos períodos de tempo e gerar conhecimento qualificado sobre um dos maiores patrimônio brasileiros: sua megadiversidade.

Flona – A Floresta Nacional (Flona) de Caxiuanã, criada pelo Decreto nº 239, de 28 de novembro de 1961, com uma área de 330 mil hectares, está situada nas proximidades da Baía de Caxiuanã, entre os rios Xingu e Anapu, nos municípios de Portel e Melgaço (PA). A maior parte da Flona é representada por floresta ombrófila densa.

Atualmente, em Caxiuanã, são reconhecidos mais de 1.500 espécies de plantas e 1.800 espécies de animais, alguns ameaçados de extinção. Em 2015, pesquisadores ligados às atividades do Museu Goeldi na região localizaram pela 2ª vez, por exemplo, um ninho de gavião real (Harpia harpyja), animal raro e sensível a mudanças provocadas pelo homem, cujo avistamento comprova a qualidade ambiental da Flona de Caxiuanã.

A base física do Museu Goeldi em Caxiuanã, a Estação Científica Ferreira Penna, foi inaugurada em 1993 e conta com a melhor infraestrutura existente para estudos de campo na Amazônia. Possui cinco laboratórios, alojamentos para até 60 pessoas, refeitório, auditório com 60 lugares, sala de computação, biblioteca, torre de observação, estação meteorológica convencional e automática e diferentes tipos de embarcações. Além dessas instalações, a Estação também possibilita que grandes porções de floresta preservada estejam facilmente acessíveis por meio de um sistema de trilhas parcialmente implantado e de um sistema de drenagem existente.

Texto: Uriel Pinho, com informações do sítio PELD-FNC.

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