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A interação entre o jovem Bruno Lins e o cavalo “Chocolate” chama atenção. A amizade dos dois vem de muito tempo.  O animal faz parte do Centro de Equoterapia da Polícia Militar do Estado do Pará, onde o rapaz, de 32 anos, faz tratamento. Bruno nasceu com paralisia cerebral e busca a reabilitação justamente com seu melhor amigo, o “Chocolate”. Ele chegou ao Centro quando tinha 13 anos. Não andava, não falava e tinha medo de tudo. A evolução é notada a cada ano que passa. A equoterapia existe há 22 anos e o método funciona na reabilitação física e psíquica de pessoas com deficiência ou necessidades especiais. Com o tratamento, Bruno conseguiu se formar em duas faculdades, e ainda disputa provas em três modalidades de atletismo paralímpico.

Maiara Gonçalves, de 21 anos, é outra que vem se beneficiando com o projeto. A jovem nasceu com paralisia cerebral prejudicial à coordenação motora esquerda. A vendedora Marissanta Gonçalves, 56 anos, mãe de Maiara estava alegre com o progresso da filha: “Eu já fiz de tudo pela minha filha – até morar fora do Estado para o tratamento dela. Mas eu sempre quis que ela fizesse a equoterapia e nunca desisti. Eu sei que, agora, ela vai melhorar bastante a postura, o caminhar, o desenvolvimento dela”, disse.

Trabalho

Introduzido no Pará em 1993, o programa de equoterapia foi implantado na Polícia Militar, em Belém, pelo tenente-coronel Ladislau, e expandiu-se no ano de 2000 para Castanhal e, em 2001, para Santarém, municípios hoje denominados de Centros Interdisciplinares de Equoterapia – CIEQs. O trabalho atende mais de 90 crianças com problemas de paralisia cerebral, autismo e deficiência.  Destas, oito têm Síndrome de Down. Uma equipe de 20 profissionais, entre fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas e psicólogos, atua no trabalho, que envolve o uso de cavalos para ajudar no tratamento dessas crianças. O serviço é gratuito e para inscrever os filhos, os pais precisam apresentar um laudo que comprovem a deficiência. Depois de passar por uma entrevista eles são incluídos em uma lista de espera. O tratamento dura cerca de dois anos e as sessões de equoterapia são realizadas uma vez na semana, com duração de 30 minutos.12-15_Page_2

Na coordenação da equipe está o Capitão da PM e fisioterapeuta há 11 anos, Angelo Scotta. Os seis cavalos que fazem parte do Centro estão em Belém desde 2012, vindos da região Sul do Brasil. Eles têm uma altura diferenciada para auxiliar no tratamento, medem até 1,50m. Os animais não participam dos serviços diários da Polícia Militar, são exclusivos para o tratamento dos pacientes em reabilitação. Atualmente, 10 cavalos treinados especialmente para essa atividade ajudam no trabalho realizado com 59 pessoas, entre crianças, jovens e adultos, a partir dos três anos de idade. A fila de espera, hoje, chega a mais de 400 nomes.

O princípio da utilização do cavalo é o movimento tridimensional que ele promove na criança com Síndrome de Down. Esse movimento promove ajustes posturais, ajustes tônicos, estimula a coordenação motora, melhora o equilíbrio e a autoestima do paciente. O programa de equoterapia é dividido em três subprogramas. A Hipoterapia, que envolve os praticantes iniciantes; Educação e Reeducação, que é a fase complementar da primeira e prepara o paciente para a última etapa, na qual apenas alguns praticantes são selecionados; e o Esportivo, onde há o treinamento para participação de competições Paralímpicas. Aproveitando o ano das Olimpíadas, no Rio, o serviço de equoterapia da PM quer estimular ainda mais os pacientes, trazendo de volta as competições internas, como forma de promover a inclusão dos portadores de Síndrome de Down também por meio do esporte.

Cavalos e cachorros

A Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) também conta com um projeto parecido com o da Polícia Militar. O diferencial é que, além do cavalo, o projeto chamado Entrelaço, usa cachorro para melhorar os movimentos e sociabilização de pessoas com deficiência. O Entrelaço atende atualmente cerca de 20 pessoas, de várias idades. Elas exercitam os movimentos do corpo por meio de caminhadas com cães e também fazem escovação e alimentação tanto dos cachorros quanto de cavalos, estes ajudam no equilíbrio e nas atividades que envolvem a estimulação dos sentidos e o raciocínio. A iniciativa faz parte das atividades do Núcleo Amazônico de Acessibilidade Inclusão e Tecnologia da UFRA e os alunos dos cursos de veterinária e zootecnia são os monitores.12-15_Page_4

Serviços

Para se inscrever na equoterapia, os pais ou responsáveis podem ligar para o número (91) 3277.5780 ou procurar o Centro Interdisciplinar de Equoterapia (Ciec) que fica na rua ao lado do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves na rodovia Transmangueirão.

Serviço

O Projeto Entrelaço é desenvolvido pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) (UFRA), localizada na avenida Perimetral, 2501. Mais informações: (91) 9.8835-4045.

(*) Publicado originalmente na edição 171 da Revista Pará+.

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