Cortes orçamentários afetam a pesquisa em biodiversidade

Outro resultado da política brasileira de redução do financiamento para ciência e tecnologia é tornar mais precária estratégias para conservar a biodiversidade e mitigar as mudanças globais. Mais de 70% das áreas protegidas do país têm menos de 0,01 registros de espécies por quilômetro quadrado.

Agência Museu Goeldi – No mês de novembro, os coordenadores da maior rede de pesquisa em biodiversidade, que congrega mais de 600 pesquisadores e 90 instituições de todo o país, publicaram artigo na revista BioScience onde alertam como o corte de recursos em Ciência e Tecnologia afeta a produção de conhecimento nesse campo. A rede é o Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio), uma iniciativa federal que teve início em 2004 pelo bioma amazônico. Os estudos fornecem base para políticas públicas de conservação da natureza e desenvolvimento sustentável.

O PPBio apoia estudos de taxonomia e ecologia, a organização de coleções científicas, o surgimento de novos cursos de pós-graduação e a capacitação em locais distantes do país. Esse investimento resultou na melhora da infraestrutura para a produção do conhecimento em biodiversidade.

Adequadamente equipadas, as instituições de pesquisa tem condições de mapear e compreender a diversidade biológica brasileira, diagnosticar e propor soluções para problemas ambientais que afetam a produção de alimentos, água, solo e clima, tanto em biomas florestais e não-florestais.

Perdas – Os especialistas apontam no artigo que a biodiversidade brasileira está vulnerável pelas mudanças recentes na legislação ambiental, devido as pressões do agronegócio, que reduziram a proteção das florestas atlântica e amazônica e das terras indígenas. “O desmatamento na Amazônia já atingiu altas taxas em 2017, após uma redução nos anos anteriores, e outros biomas brasileiros também vêem taxas alarmantes de conversão da vegetação natural para outros usos da terra”, escreveram os autores do artigo “Global Biodiversity Threatened by Science Budget Cuts in Brazil”. E acrescentam: o Cerrado perde um por cento de sua vegetação natural por ano. No Brasil, partes da Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e Campos Sulinos são ecorregiões de alto risco.

Os cientistas também identificaram outras questões cruciais para a biodiversidade: mais de 70% das áreas protegidas do Brasil têm menos de 0,01 registros de espécies por quilômetro quadrado e a atual rede de áreas protegidas não é adequada para proteger a maior parte das espécies endêmicas no território nacional.

O artigo é assinado pelos coordenadores dos núcleos regionais do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio): Gerhard E. Overbeck (UFRGS), Helena Godoy Bergallo (UERJ), Carlos E. V. Grelle (UFRJ), William E. Magnusson (INPA), Alberto Akama (MPEG), Guarino R. Colli (UNB), Walfrido Moraes Tomas (Embrapa Pantanal), Freddy Bravo (UEFS) e Wilson Fernandes (UFMG). Leia o artigo completo aqui.

PPBio – Foi criado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia com a missão de priorizar e integrar competências em pesquisa e transferência de conhecimento em biodiversidade. O Museu Goeldi coordena uma extensa rede agregada em núcleos nos estados da Amazônia Oriental. A coordenação do PPBio Amazônia Oriental está com o ictiólogo Alberto Akama, pesquisador da Coordenação de Zoologia do Museu Goeldi.

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