Cerca de um terço das brasileiras espera os 30 anos para engravidar

Decisão pode ter impacto direto na chance de sucesso. Especialista recomenda congelamento de óvulos

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Cerca de 30% das mães brasileiras esperam a chegada dos 30 anos para ficarem grávidas. Esse é um dos dados divulgados pelo estudo “Saúde Brasil”, divulgado pelo Ministério da Saúde. De acordo com a pesquisa, em 2000, 22,5% das mães estavam nessa faixa etária, enquanto que no ano de 2012, esse número passou para 30,2%.

Segundo o Dr. Pedro Monteleone, diretor da Clínica de Reprodução Humana Monteleone, na capital paulista, um dos principais motivos para essa alteração é o aumento de mulheres no mercado de trabalho e uma mudança de mentalidade, motivados, muitas vezes, pela ascensão profissional ou competitividade do ambiente de trabalho. “Esse resultado é bastante notável no dia a dia, principalmente no de quem trabalha na área de fertilidade. Há, sim, uma maior postergação do desejo de concepção. Inúmeros avanços da medicina foram voltados a esta alteração de costumes, porém a questão reprodutiva envolve fenômenos biológicos, já elucidados e incontroláveis”, afirma o especialista em fertilidade.

“Quando uma mulher de quarenta anos ovula está ovulando uma célula também de quarenta anos. O impacto dos anos na capacidade reprodutiva é  marcante, tanto por fenômenos fisiológicos como pelo acúmulo de fatores adquiridos, como inflamações,  infecções, endométrio, entre outros”, completa Dr. Pedro.

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Ainda de acordo com o estudo do Ministério da Saúde, o número de nascidos vivos, por conta da redução das taxas de fecundidade no país, também caiu. Entre 2000 e 2012, houve redução de 13,3% no número total de nascimentos e, desde 2005, as taxas de fecundidade no país são inferiores ao nível de reposição populacional, em média mundial de 2,1 filhos/mulher. Em 2012, essa taxa ficou em 1,77 filhos/mulher. E quanto maior a escolaridade, maior a idade da mulher ao ter o primeiro filho.

“O declínio da função reprodutiva se inicia aos 35 anos, mas fica patente e perigoso em relação ao futuro reprodutivo após os 40 anos. Porém, é verdade que as mudanças nos hábitos de vida, com uma alimentação mais balanceada, atividades físicas regulares e com o combate ao fumo e estresse,  têm contribuído de forma positiva para anular, parcialmente, o impacto do tempo. A  alternativa atual no combate a essa queda da fertilidade pela idade é  o congelamento dos óvulos em uma idade mais fértil, uma técnica simples e eficiente”, previne Monteleone, que também é coordenador técnico do Centro de Reprodução Humana do HC da Faculdade de Medicina de São Paulo e trabalha com reprodução assistida no HC-SP pelo SUS.

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