Benefícios da ingestão de oleaginosas é comprovada em Congresso

Estudos americanos detalham os benefícios da ingestão regular desses alimentos naturais. A castanha-do-Pará aumenta a saciedade e previne o diabetes. O amendoim e as nozes evitam o ganho de peso em longo prazo

Uma dieta que prevê a ingestão regular de castanha-do-Pará, amendoim e oleaginosas,  garante vantagens cardiovasculares, metabólicas e estéticas aos seus adeptos. Dois estudos apresentados recentemente, no Congresso da American Heart Association, em Chicago, mostram que esses alimentos podem ajudar a prevenir o ganho de peso em longo prazo, a aumentar a saciedade e a prevenir complicações que levam ao diabetes, entre outros benefícios. Ambas as pesquisas foram conduzidas com voluntários americanos, mas os autores acreditam que os resultados das oleaginosas se estendem a adultos de outras nacionalidades.
No caso da castanha-do-Pará, participaram do experimento 22 pessoas saudáveis, com no mínimo 20 anos e média 22,3 do índice de massa corporal (IMC), o que é considerado um peso normal. Os voluntários tiveram que consumir diariamente 36g da famosa rosquinha pretzel ou 20g da castanha — o equivalente a cerca de cinco unidades —, além de seguir a dieta habitual. Ambos os alimentos tinham praticamente a mesma quantidade de sódio e caloria.
Exames e entrevistas feitos nos voluntários mostraram que a castanha-do-pará e o pretzel aumentaram significativamente a sensação de plenitude e reduziram a sensação de fome, sendo que o efeito foi maior entre aqueles que consumiram o produto natural. O pretzel também aumentou significativamente a glicose e a insulina no sangue dos participantes 40 minutos após serem ingeridos, efeito não percebido nos integrantes do outro grupo.

“Comer castanha-do-Pará estabilizou os níveis de glicose e insulina, o que pode ser benéfico na prevenção do diabetes e no ganho de peso”, ressalta, em comunicado, Mee Young Hong, autora sênior do estudo e professora na Escola de Ciências do Exercício e Nutrição da San Diego State University. A cientista acredita que o resultado deve servir de estímulo para que os efeitos do alimento continuem sendo investigados. “Nosso estudo permite que pesquisadores e médicos considerem o possível papel benéfico da castanha-do-pará para ajudar as pessoas a se sentirem completas e a manterem um nível saudável de glicose, reduzindo o risco de obesidade e diabetes, um importante fator de risco para ataques cardíacos e derrames”, justifica.
Estudos anteriores mostraram associação entre melhorias nas respostas de insulina e glicose e a ingestão regular da castanha-do-pará. Nesses casos, a forte presença de selênio é ligada ao benefício. No novo estudo americano, apenas 9% dos participantes eram homens. Por isso, Mee Young Hong e a equipe acreditam que os resultados não devem ser generalizados para a população masculina.

Troca nutritiva    

Conduzida na Harvard School of Public Health, a pesquisa sobre os benefícios da ingestão de nozes e amendoim (oleaginosas) teve uma base de dados maior. Os investigadores avaliaram questionários de frequência alimentar respondidos por integrantes de três grandes grupos de estudo: 25.394 homens do Estudo de Acompanhamento dos Profissionais de Saúde, 53.541 mulheres do Estudo de Saúde do Enfermeiro e 47.255 mulheres do Estudo de Saúde do Enfermeiro II. Todos os voluntários não tinham doença crônica quando entraram na pesquisa de base.
A equipe da Harvard School descobriu que comer cerca de 30g de qualquer tipo de oleaginosas ou amendoim está associado a um menor risco de ganho de peso ou de se tornar obeso em um período de quatro anos. O mesmo benefício é alcançado ao substituir esses alimentos por uma porção de carne processada, batatas fritas ou sobremesa. “As pessoas costumam ver as nozes como itens alimentares ricos em gordura e calorias. Por isso, hesitam em considerá-las como lanches saudáveis, mas, na verdade, elas estão associadas com menos ganho de peso e bem-estar”, diz Xiaoran Liu, primeira autora do estudo.
A cientista explica que, na fase adulta, um indivíduo ganha, em média, 1kg por ano. Em longo prazo, essa mudança no peso pode ser bastante prejudicial à saúde. “Adicionar oleaginosas à dieta pode ajudar a evitar esse ganho lento e gradual depois que você entra na idade adulta e a reduzir o risco de obesidade”, ressalta. Os participantes da pesquisa eram principalmente brancos e profissionais da saúde, mas Xiaoran Liu e a equipe acreditam que os resultados podem ser aplicados a uma população geral.

 

Análise ampla

Um dos maiores estudos sobre os benefícios cardíacos da ingestão de oleaginosas mostra que o consumo de cinco ou mais porções de oleaginosas por semana reduz em 14% o risco de surgimento de doenças cardiovasculares e em 20% de doenças coronarianas. Compostos bioativos presentes em oleaginosas, incluindo ácidos graxos essenciais, vitaminas e minerais, fibras e fitoquímicos, têm demonstrado reduzir a inflamação, melhorando a reatividade vascular, assim como a glicose em jejum e a sensibilidade à insulina, e diminuindo o estresse oxidativo. Os estudos mostraram agora que o consumo de oleaginosas é eficaz na redução do estresse oxidativo e da inflamação. Outros estudos mostraram que o consumo frequente de nozes está associado a menores concentrações de inflamação  e alguns marcadores endoteliais (revestimento de artéria) em estudos clínicos. Os resultados foram semelhantes quando os cientistas consideraram o consumo de nozes, castanhas e amendoim- oleaginosas. A pesquisa foi conduzida na Harvard School of Public Health, com dados de 210 mil pessoas. Os resultados foram publicados no Journal of the American College of Cardiology.

Riscos/Limpeza       

Um passo para diminuir sua inflamação e risco de doenças cardiovasculares aterosclerótica, (como ataques cardíacos agudos e acidente vascular cerebral, que continua a ser a principal causa de morte em todo o mundo, e todas as doenças crônicas) é aumentar o seu ácido graxo ômega 3 e diminuir algumas das suas gorduras saturadas. Existem muitas outras maneiras de diminuir a inflamação e o risco de doenças crônicas, incluindo mudanças no estilo de vida e na dieta.

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