Bebê batizado como 'Jihad' causa dilema na França

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É aceitável dar o nome “Jihad” a um bebê no país que foi alvo dos piores ataques terroristas dos últimos anos na Europa?

O procurador-geral da França está às voltas com essa questão depois do caso de um casal que deseja batizar assim seu filho ser encaminhado a ele por autoridades de Toulouse, no sul do país.

Até 1993, pais franceses deveriam batizar seus filhos com nomes listados em uma relação oficial. Hoje, a lei não restringe as escolhas, contanto que o nome não gere prejuízos aos interesses da criança e não haja membros da família que se oponham a ele por questões de reputação.

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O menino de Toulouse batizado como “Jihad” nasceu em agosto. Antes dele, já foi permitido que outros meninos fossem registrados assim.

“Jihad” pode ser traduzido como “esforço” ou “luta” em árabe e tem muitos significados. Recentemente, porém, o termo foi associado ao extremismo islâmico.

O termo “jihadista” é usado para descrever militantes como aqueles que realizam ataques em nome do grupo extremista autodenominado Estado Islâmico.

‘Provocação’

Desde o início de 2015, extremistas islâmicos mataram mais de 230 pessoas na França, onde ainda vigora um estado de emergência por causa de atentados.

Em 2013, uma mãe foi condenada a um mês de prisão e a pagar uma multa de 2 mil euros (R$ 7,6 mil) na cidade francesa de Nimes depois de mandar seu filho de 3 anos também chamado Jihad para a escola usando uma camiseta em que estava escrito “sou uma bomba” e “Jihad, nascido em 11 de setembro”.

A sentença foi aplicada, segundo a Justiça, por causa da “provocação” na camiseta, que “glorificava o terrorismo” ao fazer referência aos ataques nos Estados Unidos em 2001, e não por causa do nome “Jihad”.

Em 2015, um tribunal francês impediu que um casal desse a sua filha o nome “Nutella”, o mesmo de uma famosa marca de creme de avelã, argumentando que isso tornaria a menina alvo de chacota. O juiz determinou que a bebê deveria se chamar “Ella”.

Em setembro deste ano, a outro casal não conseguiu batizar seu filho como “Fãnch” – desta vez porque a letra “ñ” não existe no idioma francês.

BBC Brasil – Primeira página

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