A solução para o Brasil

730x250

CapturarMuito a propósito, o tema do 5° Anuário Mineral do Pará 2016 “Conhecimento e Mineração: Forças que transformam o mundo” vem reafirmar minhas convicções no sentido de não haver desenvolvimento sem CONHECIMENTO e, no caso específico do estado do Pará, desenvolvimento é MINERAÇÃO.

Temos acompanhado a evolução da tecnologia e, por conseguinte, do CONHECIMENTO, ocorrida no setor mineral no estado do Pará, que notadamente visita a Casa da Mineração. Esse espaço democrático passou a difundir a cultura mineral na sociedade paraense, ajudando a superar distorções de entendimento e incompreensões históricas, bem como esclarecendo aspectos e contribuições que a MINERAÇÃO tem trazido a todo estado do Pará.

Partindo desta abordagem, me vinculo à afirmativa do tema escolhido para a 5ª literatura do setor como conhecedor de sua pujança, apesar de ser executivo egresso de outro segmento. Atualmente, já no setor portuário, vejo o gigantismo da MINERAÇÃO, tendo sido o estado do Pará agraciado com jazidas minerais extraordinárias.

É necessário reafirmar a predisposição natural do estado do Pará para o seu desenvolvimento através do setor mineral, e o gigantismo deste setor no Brasil, que participa com 23,5% nas exportações brasileiras através de bens minerais, o que representa 4% do PIB. Levando em consideração essa realidade,

gostaria de desenvolver uma crítica construtiva dirigida a todos nós, paraenses.

O Pará é para o Brasil uma porta para seu desenvolvimento. Disso não tenho dúvida alguma, visto que sou paraense por adesão, pois nasci no Rio de Janeiro, mas estou aqui desde 1987. É mais fácil e claro para pessoas que vêm do eixo sul/sudeste entender que o Pará é o futuro (e o presente) desta nação. E registro aqui essa afirmação por ser esta a principal preocupação que surge nas reuniões entre os dirigentes do SIMINERAL e do SINDOPAR.

O leitor do magnifico 5° Anuário Mineral poderá achar que minha afirmação é desprovida de realidade, ou que sou um romântico inadvertido, porém o futuro mostrará o que afirmo agora: o Pará é a solução para o Brasil.

Mas antes de isto acontecer, temos um dever de casa para realizar, pois somos muito pouco práticos: participamos de uma reunião, de um congresso, de uma palestra, as pessoas mostram coisas fabulosas do Pará para nós e, infelizmente, nada acontece.

Desde que cheguei ao Pará ouço que somos “a bola de vez”, projetos e mais projetos nos foram apresentados ou passaram por aqui e nada aconteceu.

Em 2011, fui convidado para uma palestra sobre vários negócios que estavam se estabelecendo no Estado com a participação do Governo por meio de incentivos ou do fornecimento de condições de operacionalidade. Aqui dou alguns poucos exemplos:

• Siderurgia – Aço Plano, linha branca e estruturas;

• Agronegócio – Ração e nutrição vegetal, fertilizantes e combustível;

• Reparo Naval – Lanchas e veleiros;

• Offshore – Estrutura de atendimento.

Nenhum destes negócios mencionados acima foi concretizado. Se algum foi, posso garantir que ocorreu por força e risco do setor privado sem nenhuma participação do Estado e, pior, sem garantia alguma do Estado.

Não entendo que o Estado deve apadrinhar empresário e seus empreendimentos, mas quem empreende precisa de atenção e apoio, um mínimo de garantias e ou de segurança jurídica, eu diria.

Infelizmente, nosso Estado é refratário a negócios e isto não é defeito de uma gestão ou de outra, é o conceito que o Estado tem formado ao longo do tempo.

Entre outros problemas graves, temos uma questão crucial que é o problema fundiário. Ninguém é insano de colocar seu dinheiro num negócio que não saberá se será seu. Hoje no Estado há problemas gigantescos nesta seara e não vemos nada para resolvê-los.

O SPU é um problema sem solução que agora quer tributar sobre a lâmina d’agua. No entanto, o pior não é a tributação, é a falta de documentação.

Passando para o setor portuário, que penso ser um dos meios de desenvolvimento da nossa região, recentemente a SEP divulgou estudos que nos fazem acreditar que os portos do Pará chegarão a 2022 com o mesmo volume do porto de Santos, que é o maior da América Latina. Será mesmo que isto acontecerá? Desejamos, mas não podemos ficar apenas orando, o principal DEUS já nos deu, que foi a localização mais privilegiada dos portos nacionais, porém sem as obras de infraestrutura as cargas não virão por si próprias.

A carga precisa de logística para baratear seus custos, as Commodities têm precificação mundial. Portanto, o que se vende é logística, se o País tem boa logística seus produtos são competitivos. Nos EUA, o custo de logística é de 6% do PIB, na Europa é de 8%, aqui beiramos 14% e a resposta para essa questão é facílima: temos a estrutura logística montada sobre meio rodoviário, enquanto nos países que fizeram seus deveres de casa os conceitos são ferroviários ou hidroviários.

Em 2014, movimentamos nos portos do Pará aproximadamente 50 milhões de toneladas, uma ninharia se comparado à movimentação de carga nacional, que foi de 972 milhões de toneladas, sendo que desses montantes acima descritos, menos de 19 milhões de toneladas foram movimentadas em portos públicos do Pará, um vexame.

O que nos deixa aflitos é que nada está sendo feito para mudar o cenário. Precisamos de importantes obras de infraestrutura que os paraenses conhecem na ponta da língua: o DERROCAMENTO PEDRAL DO LOURENÇO, BR 163 e FERROVIA NORTE SUL.

Nossa bancada federal precisa mais do que nunca estar unida e forte em nome dos interesses do Estado. Não se pode transformar uma pauta tão importante em disputa que só trará prejuízos para o Pará. Temos que sair da retórica de um Estado rico e de economia pujante e transformá-lo em realidade com crescimento sustentável e geração de renda em prol do seu próprio povo e do país.

O futuro do Pará depende dele mesmo!!!

COMPARTILHAR